Vampiros Podem Voltar a Dar Medo nos Cinemas?
O gênero de terror possui a habilidade de sempre se reinventar, trazendo e produzindo histórias que sempre fazem barulho na mídia ou entre o público. Agora, vamos falar de uma criatura que, desde que surgiu, mexe com a imaginação das pessoas: o vampiro.
O número de obras sobre vampiros ao longo da história, inclusive histórias contadas oralmente, é incalculável. Infelizmente, muitas já se perderam com o tempo. No entanto, irei citar alguns filmes que moldaram os mitos e lendas sobre essa enigmática criatura que tem vagado pelos cinemas há mais de um século.
Os vampiros como
conhecemos hoje possuem raízes bem mais antigas, remontando aos mitos e lendas
da Idade Antiga sobre seres sobrenaturais bebedores de sangue. Atravessando a
Idade Média, com todas as histórias sobre as pragas e a aparência dos
cadáveres, até a utilização de métodos preventivos supersticiosos para impedir
a disseminação da peste.
Muitos outros contos
e lendas entraram na imaginação popular, passando de pais para filhos,
incluindo histórias de que a nobreza, pessoas distantes do convívio comum,
usufruía de sangue para se alimentar ou se banhar nele, buscando vigor e
juventude eterna.
Assim, temos o livro Carmilla, escrito por Joseph Sheridan Le Fanu e publicado na década de 1870. Poucas décadas depois, em 1897, surgiu outro dos primeiros clássicos vampirescos, Drácula, escrito por Bram Stoker. Tanto Le Fanu quanto Stoker eram irlandeses.
Nosferatu é o primeiro ícone vampiresco do cinema, com mais de um século de história. Aquele vampiro careca ainda dá arrepios até hoje. Acredito que, por ser um filme mudo, Nosferatu proporciona um entretenimento puramente assustador, ainda mais envolvente e também divertido. A primeira vez que vi o personagem Nosferatu foi no desenho do Bob Esponja, e fiquei bem assustado, hehehe.
Agora, chegando ao cinema falado, mas ainda com o característico preto-e-branco, temos Drácula, de 1931. Estrelado por Bela Lugosi, esse filme inaugurou uma nova e clássica faceta para a mitologia mundial dos vampiros. Apesar de também causar calafrios em sua época, hoje em dia esse filme nos faz dar algumas risadas, mas ainda nos entretém. Assim como Nosferatu antes dele, sua trama e seu jeito inocente de ser continuam a comover o público, refletindo a inocência das décadas iniciais do cinema.
Em cores, os vampiros
continuam ameaçadores, mas com muito mais elegância e beleza, como visto em
Drácula, especialmente no filme "Drácula de Bram Stoker" de 1992 e
"Entrevista com o Vampiro" de 1994. Esses filmes trouxeram os
vampiros para os anos 90, à beira de entrar no novo milênio. Eles combinavam o
belo e o lúdico, mas ainda tinham a habilidade de assustar.
Quando assisti ao filme "Entrevista com o Vampiro", fui pego de surpresa no final com a cena do vampiro Lestat (Tom Cruise) no carro; foi bem divertido.
Ainda nos anos 90, um
super-herói da Marvel chegou aos cinemas: Blade, o caçador de vampiros. Este
personagem fez parte da inauguração das roupas de couro pretas no cinema. Blade
trouxe os vampiros para o gênero de ação, afastando-se um pouco do terror.
Blade estreou nos
cinemas em 1998, seguido por Blade 2 em 2002 e Blade Trinity em 2004. No meio
desse período, mais precisamente em 2003, veio Anjos da Noite (ou Underworld).
Anjos da Noite não
assusta tanto, mas pode causar medo em crianças impressionáveis. Os três
primeiros filmes são uma ótima opção para quem busca ação no fim de semana. No
entanto, pessoalmente falando, Anjos da Noite 4 e 5 já seguem um caminho menos
interessante.
Mesmo sem assustar, as características clássicas dos vampiros ainda estão presentes.
Agora, vamos para uma
fase onde os vampiros já não transmitiam mais medo ou calafrios: a era de
Crepúsculo. Originada de uma saga de livros de romance voltada para garotas
adolescentes, os filmes da série não eram nada excepcionais para mim na época,
mas confesso que acabei virando fã quando saíram nos cinemas, hehehe.
Os vampiros de Crepúsculo não assustavam nem ofereciam boas cenas de ação. Considero Crepúsculo como o fim do vampiro no conceito de terror, pois esses vampiros já não causavam medo algum. Quando entrou a década de 2010, os vampiros apareciam esporadicamente, pois poucas pessoas se aventuravam a fazer algo novo com essa criatura no cinema. Isso fez com que outra criatura fosse usada à exaustão: o zumbi.
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Foi
uma trajetória bem longa para a criatura sugadora de sangue nos cinemas. Desde
o carequinha que espreitava na escuridão até os adolescentes que brilham. Será
que os vampiros ainda podem causar calafrios nos cinemas? Bom, é possível.
O suspense é um gênero que sempre conversou muito bem com o terror e também é a fonte da qual o vampiro mais bebeu (perdão pelo trocadilho). A primeira coisa necessária é um roteiro minimamente inteligente, mesmo contendo clichês, que não envergonhe seus personagens, pois o objetivo é tentar trazer o vampiro de volta ao terror.
A maior parte dos filmes de vampiros, desde o início até o seu declínio, teve seus roteiros adaptados de romances. Atualmente, os vampiros também estão em baixa na literatura. Um filme de terror não precisa ter gore para ser assustador, nem jumpscares a todo o momento, e muito menos ficar expondo a criatura.
A
película do filme pode aumentar a imersão do público ao assistir um filme de
terror, pois uma imagem muito limpa pode fazer a suspensão de descrença desabar.
Um exemplo disso é o esquecido filme "A Rainha dos Condenados" de
2002.
Esse filme é uma adaptação de mais um romance de Anne Rice (autora de "Entrevista com o Vampiro"), trazendo até mesmo o vampiro Lestat. No entanto, "A Rainha dos Condenados" não envelheceu bem e foi ofuscado pelos filmes de vampiros da época, como os filmes do Blade e "Anjos da Noite". Acredito que a resposta esteja no passado, pois muitos filmes de terror da década passada até a atual obtiveram bons resultados de bilheteria ao se espelharem, até mesmo espiritualmente, nos clássicos, como os filmes de terror da década de 70.
Um filme de terror mais imprevisível e atmosférico, que não poupe crianças ou pessoas mais vulneráveis, poderia fazer com que o público se envolvesse profundamente na trama. O choque causado pela extrema violência não é necessário, mas o impacto da situação e do estado psicológico dos protagonistas seria bastante interessante.
Como as histórias de True Crime (crimes reais) estão em alta, uma trama que exagere na fantasia, mas seja mais pé no chão (mesmo envolvendo vampiros), poderia trazer algo novo, mesmo que contenha alguns clichês. Filmes sobre invasão domiciliar, com um grupo de assassinos ou apenas um, como visto no filme "Hush: A Morte Ouve" de 2016, poderiam fazer com que o público torcesse pelas vítimas, desde que sejam bem escritas, é claro.
Eu sou um grande fã de filmes Slasher, apenas do subgênero estar em declínio hoje em dia, por conta de fiascos feitos com as franquias de “Pânico” e “Halloween”. Acredito que o Slasher pode se reinventar, trazendo alguma novidade como em “A Morte te Dá Parabéns”, também é possível trazer os vampiros de volta para a zona do horror.
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